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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Da série: "Ser mãe é TÃO legal, mas..."



"Ser mãe é TÃO legal, mas e o meu corpo?"

A gente sabe o quão difícil é o puerpério e como com um recém-nascido mal sobra tempo pra se olhar no espelho, né? As pessoas não cansam de perguntar sobre o seu peso e tecer comentários sobre outras mães e como elas "emagreceram super rápido", e com tudo isso é de se entender que sua autoestima esteja TÃO baixa.

Primeiro, gostaríamos de te dizer que você é maravilhosa e que cada curva sua é perfeita. Essa cobrança pelo emagrecimento não só é gordofobia como também é a atitude de uma sociedade patriarcal que faz a manutenção diária da ditadura da magreza e não tolera a existência de mães felizes com o seu corpo. 

Depois, queremos que você saiba também que ser mãe não deve te anular como mulher. Ser mãe não pode apagar a sua sexualidade! Sabemos que o tempo é curto e que a nossa relação com o nosso corpo depois do parto não é lá das melhores, mas vamos lá, olhe pra você! Você é linda. 

Outra coisa que ninguém fala é sobre como a nossa libido despenca no pós-parto. É importante pra nós poder contar com a compreensão do parceiro ou parceira para podermos lidar com todas as mudanças pelas quais estamos passando. É tudo muuuuito difícil! E a gente não recebe um manualzinho de instruções que ensine a lidar com a rejeição social que sofremos por nossos seios caírem ou pelas estrias que ganhamos. 

Seu corpo nunca mais será o mesmo. Tudo mudou! As estrias, as marcas, as dores, o inchaço. Tudo isso é parte da sua história e isso só faz de cada parte do seu corpo mais linda ainda. 

Empodere-se, redescubra sua sexualidade. Se toca, mulher!

Da série: "Ser mãe é TÃO legal, mas..."



"Ser mãe é TÃO legal, mas e o parto?"

Que a maternidade é romantizada e supervalorizada não é novidade. A sociedade patriarcal nos coloca como "encubadoras" e apesar de estarmos no século vinte e um, a mentalidade ainda é medieval. Mulher serve pra parir, procriar. E se não puder por algum motivo ou mesmo não quiser, é seca, inválida, incompleta. Falta alguma coisa, sempre vai faltar.

Quantas de nós não escutamos coisas como essas diariamente? Provavelmente todas. 

Estudos dizem que a cada minuto são feitas três cesarianas no Brasil. Será mesmo que todas essas mulheres optaram por isso? 

A maior parte das mulheres mães são negras e periféricas. Essas mulheres estão em situação de EXTREMA vulnerabilidade. Tanto social quanto financeira. E você sabia que a maioria delas sofreu violência obstétrica e vai sofrer novamente? 

Às mães resta o descaso, a negligência, a terceirização de suas escolhas. Nem como querem parir podem/puderam escolher. 

A luta pela humanização é também a luta pela vida da mulher, contra a violação dos nossos corpos. 

Descobrir-se grávida é, na maioria das vezes, seguido de uma sucessão de violências. Por isso, é urgente que mães sejam incluídas nos espaços feministas e recebam suporte psicológico e emocional para se empoderarem e reunirem forças para lutarem.

Da série: "Ser mãe é TÃO legal, mas..."



"Ser mãe é TÃO legal, mas e o pai dessa criança?"

Toda mãe já ouviu algum comentário como esse, infelizmente. E a gente retruca: quem é que disse que toda criança tem pai? Existem milhares de mães e infinitas formas de maternar. 

Inúmeras mulheres são abandonadas quando grávidas e além de ter de lidar com a decisão que por elas é tomada, a de que vão ser mãe, também tem de suportar, dia após dia, as inúmeras violências dessa sociedade misógina que odeia mães. Quer sejam solteiras, quer não. 

Além disso, mulheres lésbicas também são mães. "Mas e o pai?" Não tem! Não precisa. 
Concentrem-se em apoiar as mães e lhes dar o suporte que foi - e é - negado. Que tal lutar por um mundo com menos "E o pai?" e mais, muito mais, "E a mãe?".

Precisamos de lugares inclusivos para mulheres mães.

Feminismo é a libertação de TODAS as mulheres, isso inclui as mães!